3.

Peixe-leão: Como essa espécie invasora pode impactar o Ambiente Marinho

Peixe-leão

Muito provavelmente, você já ouviu falar do Peixe-leão! Esse é o nome popular para as espécies do gênero Pterois, que se tornou conhecida no Brasil nos últimos anos devido à sua invasão em nossas águas territoriais. A espécie específica Pterois volitans, da família Scorpaenidae, é originária do Indo-Pacífico e foi registrada pela primeira vez no Brasil em 2014, em Arraial do Cabo. O Peixe-leão é considerado a espécie de peixe marinho com a invasão mais rápida já registrada na história, podendo impactar gravemente o ecossistema ao causar a extinção de espécies nativas devido à predação e à competição por recursos.

Características do Peixe-leão

O nome “Peixe-leão” deriva das nadadeiras longas e vistosas, que lembram a juba de um leão. No entanto, diferentemente do mamífero terrestre, essas nadadeiras possuem espinhos conectados a glândulas que secretam entre 3 e 10 mg de veneno. Essa toxina pode causar diversos sintomas em humanos, incluindo dor intensa, febre, insuficiência circulatória e até paralisia respiratória. A família Scorpaenidae é uma das duas únicas famílias de peixes marinhos venenosos e suas espécies são naturais do Oceano Índico e Pacífico Sul.

O Peixe-leão apresenta uma taxa de reprodução extremamente alta, podendo liberar até 2 milhões de ovos fecundados por ano. Esse fator, aliado à sua dieta carnívora generalista — que inclui qualquer organismo que caiba em sua boca — e à presença de espinhos que aumentam sua defesa contra predadores, confere a essa espécie um alto potencial invasor. Além disso, ele é capaz de sobreviver em diferentes ambientes, como águas com baixa salinidade, como é o caso dos estuários e manguezais, além de regiões profundas como recifes mesofóticos.

As espécies nativas enfrentam grandes desafios para escapar da predação pelo Peixe-leão. Ele é peixe é um predador de emboscada, permanecendo estático até o momento do ataque, quando suga a presa para dentro de sua boca. Seus 18 espinhos venenosos (13 na nadadeira dorsal, 3 na nadadeira anal e 2 nas nadadeiras pélvicas) também reduzem significativamente a predação por outras espécies, dificultando o controle natural de suas populações.

Histórico de invasão

O primeiro registro do Peixe-leão no Oceano Atlântico ocorreu em 1985, na Flórida. Especula-se que ele tenha sido introduzido acidentalmente durante um furacão ou que tenha sido liberado no oceano por aquaristas. Atualmente, essa espécie causa grandes prejuízos ambientais e econômicos nas águas do Caribe.

O primeiro indivíduo encontrado no Rio de Janeiro em 2014 está associado geneticamente com a população do Caribe, que fica a mais de 5 mil km, portanto é difícil entender se houve alguma nova introdução ou se a dispersão ocorreu de maneira gradual. Desde então, diversos registros foram feitos, especialmente no Nordeste, incluindo Amapá, Pará, Piauí, Ceará, o sistema de Recifes Amazônicos e Fernando de Noronha. Neste último, foi encontrado recentemente o maior Peixe-leão do mundo, medindo impressionantes 49 cm.

Impactos no Ambiente Marinho

A introdução de espécies exóticas no Brasil não é novidade do Peixe-leão, e um exemplo bem conhecido é o Coral-sol (Tubastraea spp.), também originário do Indo-Pacífico. A velocidade com que novas espécies se estabelecem na nossa costa está ligada diretamente a avanços tecnológicos, como a construção de estruturas no mar e o maior tráfego de embarcações.

O impacto na fauna existente é grande, porque as novas espécies competem diretamente por recursos com as espécies que já vivem na região. No caso do Peixe-leão ele se alimenta de presas de predadores endêmicos (que só ocorrem aqui), gerando um efeito cascata nas suas populações. Isso impacta diretamente em setores comerciais como a pesca e o turismo – a perda de biodiversidade pode reduzir a visitação em destinos conhecidos de mergulho, além da possibilidade de acidentes com os espinhos. Devido à menor riqueza de espécies e alto grau de endemismo, muito provavelmente no Brasil a bioinvasão do Peixe-leão terá consequências maiores do que no Caribe.

Controle e manejo do Peixe-leão

A pesca e a captura são utilizadas para controlar a invasão da espécie, e apesar dos espinhos venenosos a sua carne é boa e pode ser consumida. Ações imediatas para controlar a espécie podem e devem ser incentivadas, como a implementação de atividades de monitoramento, divulgação de avistamentos, juntos com a implementação de uma sólida base de dados. Programas de educação ambiental focados em comunidades locais, pescadores e mergulhadores também podem ajudar a reduzir o riscos associados a essa espécie.

Além disso, a conservação de ambientes naturais ainda é a melhor opção, aumentando assim a capacidade do ecossistema resistir contra espécies invasoras, e a melhor forma de fazer isso é através da criação de mais áreas marinhas protegidas.

O que podemos fazer?

Espécies invasoras são e continuarão sendo um problema para a conservação marinha e precisamos cobrar medidas que visem mitigar os impactos mostrados ao longo do texto dos nossos representantes no governo. Além disso, podemos fazer a nossa parte ajudando a divulgar esses problemas e aprendendo cada vez mais sobre o ambiente marinho. O Projeto Maui ajuda na divulgação desses problemas através de conteúdos produzidos nas redes sociais e uma ótima forma de você também ajudar é compartilhando este conteúdo com conhecidos. Além do mais, possuímos uma plataforma de estudos online sobre Biologia Marinha onde qualquer pessoa pode ter acesso à informação por um custo acessível de R$17/mês, então se você deseja aprender mais e também gostaria de ajudar a gente com essa missão, acesse mais informações através desse link.

Referências Bibliográficas

IMPACTOS AMBIENTAIS DO PEIXE-LEÃO PTEROIS VOLITANS EM AMBIENTES COSTEIROS: UM ALERTA PARA O LITORAL NORDESTINO DO BRASIL.
[S.l.: s.n.], 2023. Disponível em: https://www.grupounibra.com/repositorio/CBIOLO/2023/impactos-ambientais-do-peixe-leao-pterois-volitans-%28linnaeus-1758%29-em-ambientes-costeiros-um-alerta-para-o-litoral-nordestino-do-brasil.pdf?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 11 mar. 2025.

PLANO DE AÇÃO PARA CONTROLE DO PEIXE-LEÃO NO ESTADO DE PERNAMBUCO.
[S.l.: s.n.], 2024. Disponível em: https://semas.pe.gov.br/wp-content/uploads/2024/05/Plano-de-Acao_Peixe-Leao.pdf?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 11 mar. 2025.

PLANO EMERGENCIAL DE MONITORAMENTO E ERRADICAÇÃO DO PEIXE-LEÃO NA RESERVA EXTRATIVISTA MARINHA DE ARRAIAL DO CABO.
[S.l.: s.n.], 2015. Disponível em: https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/biodiversidade/manejo-de-especies-exoticas-invasoras/guias-e-materiais-orientadores/materias-diversos/plano_emergencial_peixe-leao_resex_arraial_do_cabo_2015.pdf?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 11 mar. 2025.

RENDIMENTO IDEAL DO PEIXE-LEÃO: UM CONCEITO DE GESTÃO NÃO TRADICIONAL PARA A PESCA INVASIVA DE PTEROIS SPP.
[S.l.: s.n.], s.d. Disponível em: https://blueventures.org/pt/publica%C3%A7%C3%B5es/O-peixe-le%C3%A3o-ideal-produz-um-conceito-de-gest%C3%A3o-n%C3%A3o-tradicional-para-a-pesca-invasiva-de-peixe-le%C3%A3o-pterois-spp./?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 11 mar. 2025.

GUIA ESTRATÉGICO PARA PESQUISA, MANEJO E ATIVIDADE DE RESPOSTA RÁPIDA AO PEIXE-LEÃO NO BRASIL.
[S.l.: s.n.], s.d. Disponível em: https://www.icmbio.gov.br/cbc/images/stories/Guia_Estrat%C3%A9gico_Peixe-Le%C3%A3o_2.pdf?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 11 mar. 2025.

COMO PEIXES-LEÃO SE ESPALHARAM PELA COSTA BRASILEIRA.
[S.l.: s.n.], 2023. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/externo/2023/06/25/como-peixes-leao-se-espalharam-pela-costa-brasileira?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 11 mar. 2025.

PEIXE-LEÃO: BELOS INVASORES DO CARIBE E DA COSTA LESTE.
[S.l.: s.n.], s.d. Disponível em: https://oceanfdn.org/pt/peixe-le%C3%A3o-belos-invasores-do-caribe-e-da-costa-leste/?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 11 mar. 2025.

PEIXE-LEÃO INVADE O MEIO AMBIENTE BRASILEIRO E COLOCA ESPÉCIES NATIVAS EM RISCO.
[S.l.: s.n.], s.d. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/peixe-leao-invade-o-meio-ambiente-brasileiro-e-coloca-especies-nativas-em-risco/?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 11 mar. 2025.

NOVA PESQUISA: A PESCA DIRECIONADA DE PEIXES-LEÃO INVASORES PODE APOIAR A CONSERVAÇÃO E OS MEIOS DE SUBSISTÊNCIA.
[S.l.: s.n.], s.d. Disponível em: https://blueventures.org/pt/nova-pesquisa-de-pesca-direcionada-ao-peixe-le%C3%A3o-invasor-pode-apoiar-a-conserva%C3%A7%C3%A3o-e-os-meios-de-subsist%C3%AAncia-2/?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 11 mar. 2025.

PROFESSOR INTEGRA EQUIPE QUE ESTUDA INVASÃO DO PEIXE-LEÃO EM ÁGUAS BRASILEIRAS.
[S.l.: s.n.], 2022. Disponível em: https://noticias.ufal.br/ufal/noticias/2022/8/professor-da-ufal-integra-equipe-que-estuda-invasao-do-peixe-leao-em-aguas-brasileiras?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 11 mar. 2025.

Bruno Falcai

Biólogo Instrutor de mergulho Professor e idealizador do Projeto Maui Apaixonado pela vida marinha

Comece hoje a aprender biologia marinha

Aprenda Biologia Marinha na nossa Área de membros e ajude a conservar os oceanos.

CONHEÇA O FUNDO DO MAR

Mergulhe com a gente e conheça de perto tudo que estudamos.

Conheça a Netflix da Biologia Marinha

Cursos sobre o ambiente e animais marinhos com certificado de participação.

Inscreva-se na nossa Newsletter

Junte-se à nossa newsletter sobre vida marinha e mergulhe na beleza do oceano com o Projeto Maui.