Foto subaquática de Abudefduf saxatilis em recife rochoso
Pesquisa em campo · Mestrado em Oceanografia

Alimentação artificial em recifes: o efeito nos peixes

Um estudo de campo sobre como o turismo, e o hábito de alimentar peixes, muda o comportamento e a composição de espécies em recifes do litoral sudeste do Brasil.

Principal espécie
Abudefduf saxatilis
Área de estudo
Entre Ilhabela (SP) e Angra dos Reis (RJ)
Método
Experimento de vídeo
Fase atual
Análise de vídeos
Sobre a pesquisa

Por que alimentar peixes no recife não é tão inofensivo quanto parece

Recifes rochosos sustentam parte da vida marinha costeira e atraem turistas de mergulho e snorkeling. Uma prática comum nesses passeios é oferecer pão aos peixes para aproximá-los dos visitantes. Parece inofensivo, mas pode alterar o comportamento e até a composição de espécies do recife.

A Abudefduf saxatilis, o peixe-donzela mais comum em recifes do Atlântico, é uma ótima espécie-sentinela: onívora, oportunista e sensível à presença de banhistas. Ideal para revelar os efeitos da alimentação artificial.

Abudefduf saxatilis (peixe-donzela)
Contexto científico

Recifes rochosos: grande diversidade

Antes de entender o experimento, vale entender o cenário: por que recifes importam tanto, e por que os peixes que neles vivem são sensíveis ao que acontece na superfície.

O que é um recife rochoso

Diferente dos recifes de coral, recifes rochosos são formações de rocha submersa cobertas por algas e invertebrados. Sua superfície irregular cria abrigos, esconderijos e áreas de forrageio (complexidade estrutural que sustenta comunidades inteiras).

Peixes recifais

Já foram descritas mais de 6.000 espécies de peixes recifais no mundo, cerca de 560 delas na costa brasileira. Essa diversidade de formas, tamanhos e comportamentos reflete os inúmeros micro-habitats de um recife  e torna a comunidade de peixes um indicador da saúde do ambiente.

Serviços ecossistêmicos

Além de sustentar a biodiversidade, recifes protegem a costa, dão suporte à pesca artesanal e movimentam o turismo: atividade que gira dezenas de bilhões de dólares por ano globalmente. 

Turismo sem manejo

Pisoteio, ancoragem, mergulho desordenado e alimentação artificial estão entre os principais impactos do turismo em recifes. Sem manejo, essas práticas alteram o comportamento da fauna e reduzem a resiliência do ecossistema, o oposto do que se busca ao visitar um recife saudável.

O que queremos descobrir

Objetivos e hipóteses

Comparamos locais com diferentes históricos de visitação para entender o que muda quando o turismo e a alimentação artificial acontecem no recife.

1

Composição de espécies

Comparar quais espécies aparecem em locais sem visitação, com visitação sem alimentação, e com alimentação artificial regular.

2

Efeito de banhistas e comida

Medir se a simples presença de uma pessoa na água, com ou sem oferta de alimento, já muda quais peixes aparecem.

3

Comportamento dos peixes

Investigar se as principais espécies ficam mais agressivas em locais já acostumados a receber comida.

Algumas hipóteses

Locais com histórico de alimentação artificial devem ter mais espécies onívoras, e esse efeito deve crescer ainda mais quando há comida na água naquele momento.

Nesses mesmos locais, esperamos ver mais comportamentos agonísticos (mordidas, investidas) de A. saxatilis na presença de banhistas.

Como estudamos isso

Metodologia

Uma câmera subaquática fixa registra o recife em quatro momentos, sempre pela manhã, antes da chegada dos turistas, comparando locais com diferentes históricos de visitação entre Ilhabela e Angra dos Reis.

Cenário 1

Pré-banhista

5 minutos antes do pesquisador entrar na água.

Cenário 2

Banhista

5 minutos com o pesquisador na água, simulando um turista comum.

Cenário 3

Pós-banhista

5 minutos logo após o pesquisador sair da água.

Cenário 4

Alimentação

5 minutos oferecendo pão, o mesmo alimento usado pelo turismo local.

Três históricos de visitação

  • Sem visitação (controle, longe de rotas turísticas)
  • Com visitação, sem alimentação artificial
  • Com visitação e alimentação artificial regular
Já em campo

O teste piloto mostrou alguns sinais

Na Ilha das Cabras (Ilhabela), o piloto registrou três espécies, incluindo A. saxatilis , com um salto expressivo de abundância no cenário de alimentação, e mordidas dirigidas ao pesquisador.

Teste piloto – Ilha das Cabras, Ilhabela
Quem está por trás

Equipe

Bruno Rafael Falcai

Candidato ao mestrado

Prof. Dr. Tito Monteiro da Cruz Lotufo

Orientador

Dra. Fernanda Andreoli Rolim

Coorientadora
Laboratório de Biologia Recifal (BIOREC) · Instituto Oceanográfico · Universidade de São Paulo (USP) · Programa de Pós-Graduação em Oceanografia
Projeto realizado com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – Brasil (Bolsa de Mestrado)

Aprender com a gente também é apoiar essa pesquisa

A receita da Escola do Oceano financia diretamente as coletas de campo e os equipamentos deste projeto.

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